TROPICANDO

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A Tropicália foi um movimento de reflexão cultural, que teve início em 1967, como uma alternativa criativa de manifestação político-social. Os tropicalistas acreditavam que as novas políticas existentes no Brasil (após 64) só serviam a uma cultura elitista. Segundo Martinez Correa, “para expressar uma nova e complexa realidade, foi necessário reinventar formas que capturassem essa nova realidade”. Para os tropicalistas, a cultura consistia em mecânicas de apreensão, interpretação e reformulação da circulação da informação, e isso foi potencializado por eles através do carnaval, da música nordestina e da arte de rua, atingindo a grande massa brasileira.

 

Oswald de Andrade,  em seu Manifesto Antropófago (1928), dizia: “Só a antropofagia nos une”, o que fez com que os tropicalistas percebessem o Brasil como um país miscigenado, com índios, africanos e europeus, e que precisava de uma libertação moral em prol do diferente. As informações precisavam tocar todos os tipos de pessoas.

 

As criações e movimentações artísticas que aconteceram durante a Tropicália provocavam o público, apontando as disparidades, os descompassos e a multiplicidade de materiais. As imagens se desdobravam, contrariando umas às outras e potencializando tensões. Influenciado pela Pop Art americana e pelo Realismo Francês, o Tropicalismo usou e abusou dos elementos brasileiros para destacar a questão nacional: psicodelismo em verde e amarelo, linguagem publicitária e meios de comunicação em massa.

 

 

“POR QUE NÃO? Por que não ver a identidade nacional do Brasil como um processo aberto, em desenvolvimento permanente?”

 

Barreiras e limites eram quebrados em cada palavra, cada objeto. Tudo era pensado em como fazer uma vida melhor, mostrando às pessoas que não havia o definitivo. Existiam questionamentos saudáveis, tais como: “Por que limitar as possíveis experiências, realizando a arte através de uma forma preconcebida?”.

 

Martinez: “só existe crítica quando se tem História em progresso”.

 

Em sequência,  Oiticica, movido pelo Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, acrescentou: “Antropofagia seria a defesa que temos contra a dominação externa.”

 

 

Acreditando que a filosofia tropicalista foi algo que jamais acabará, celebramos agora os 50 anos do seu inicio, criando uma coleção inspirada nesta que é uma das principais manifestações artísticas do Brasil. Assim, fizemos uma imersão nesse movimento político-cultural, buscando traduzir seus conceitos em objetos que registram a filosofia da época e acompanham os movimentos experimentais do design e os parâmetros da Mameluca.

 

“Não pregamos pensamentos abstratos, mas comunicamos pensamentos vivos”, afirmavam os tropicalistas.

 

A Tropicália usou de uma inovação estética como fórmula revolucionária, assim como a Mameluca experimenta as novas formas de pensamento dos objetos. A Tropicália conjuga experimentalismo e crítica; a Mameluca utiliza a crítica como laboratório experimental.

 

Inspirados nesse período da História, apresentamos móveis musicais, objetos que vibram, distorcem e se aglutinam; idéias que acendem a curiosidade sobre questionamentos, como Por Quê?, Onde?, Como?

 

"O que apresentamos é apenas mais uma visão de um movimento de resgate da essência, do amor próprio e da fé do povo brasileiro.

Não existe a verdade se você não a vive;

Não existe a crueldade se você não a sente;

Não existe o amor sem o sublime;

Não existe a fé sem a perseverança;

Não existe o design sem existirem as diferenças".

                                                      Mameluca

 

 

Tropicália was an analytical cultural movement born in 1967 as a creative option for political and social manifestation. Tropicalists believed that new existing policies in Brazil (after 1964) only served to the elitist culture. According to Martinez Correa, “to express a new and complex reality was needed to reinvent forms to capture this new reality was necessary.” According to tropicalists, culture embodies the mechanics for understanding, interpretation and reformulation the way information is broadcasted, and this was powered by them through Carnival, Brazilian northeastern music and street art, thus reaching the large Brazilian masses of people.

 

Oswald de Andrade in his Cannibalist Manifesto (1928) stated, “Cannibalism alone unites us” urging other tropicalists to realize Brazil as a country of mixing ethnicities which included Indians, Africans and Europeans, and that a moral liberation in favour of the different was needed. Information should reach all types of people.

 

Artistic creations and movements occurring during Tropicália did elicit the people by showing disparities, mismatches and a large array of materials. Images unfolded that counteracted one to another and powered tensions. Influenced by American Pop Art and French Realism, Tropicalism champions the use of Brazilian elements to highlight the national issue: green and yellow psychedelism, advertising language and means of mass communication.

 

“WHY NOT? Why do not see the national identity of Brazil as an open process under a continuous development?”

 

Barriers and limitations were broken in each word, each object. Everything was designed to make the life better and to show people that nothing was definitive. Instead, a productive questioning resulted therefrom “Why limit possible experiences and produce art in a preconceived manner?”.

 

Martinez: “Criticism exists only when there’s History in progress”.

 

Inspired by Oswald de Andrade’s Cannibalist Manifesto, Oiticica then added that “Cannibalism would be the defense we have against the foreign rule”.

 

Under the belief that tropicalist philosophy is a movement that will never end, we now celebrate its 50th anniversary by creating a collection in honor of one of the greatest artistic manifestations in Brazil. Thus, we went deep inside this political and cultural movement in order to translate its concepts into objects that could incorporate the philosophy of that time and be aligned with experimental moves of designs and Mameluca’s parameters.

 

“We do not profess abstracts thinking but we communicate live thinking” stated the tropicalists.

 

Tropicália employed an aesthetical breakthrough as a revolutionary formula as well as Mameluca goes through the new approaches to design the objects. Tropicália puts together the experimentalism and criticism; Mameluca uses the criticism as trial laboratory.

 

Based on this period of History we display musical furniture, objects that vibrate, twist and bind; ideas that awake the curiosity for challenging questioning as Why?, Where?, How?

 

 

“What we present is just another vision of a movement for rescuing the essence, self-love and faith in the Brazilian people.

 

There is no true if you do not live it;

There is no cruelty if you do not feel it;

There is no love with no sublime;

There is no faith with no perseverance;

There is no design if there are no differences”.

  Mameluca.

 

 

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